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Castelo Melhor
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Castelo Melhor
Vila Nova de Foz Côa

A fundação de Castelo Melhor e consequente edificação da cerca muralhada terão ocorrido no final do século XII, por iniciativa da coroa leonesa, sendo Castelo Melhor, a par de Castelo Rodrigo, os dois pontos fortificados no extremo setentrional da região de Riba-Côa.
Os Foros e Costumes de Castelo Melhor de 1209, outorgados na própria vila, no mês de Fevereiro, por Afonso IX de Leão (1188-1230), constituem o primeiro apontamento documental relativo a Castelo Melhor e a única prova da presença de um rei leonês na povoação.

Nestes, redigidos entre 1205 e 1210, num período de paz para o reino de Leão, vêm expressos os limites territoriais, bem como todas as directrizes políticas, administrativas e jurídicas que deveriam regulamentar a organização da vila de Castelo Melhor.

Os termos de Castelo Melhor compreendiam as terras entre os rios Douro e Águeda até à confluência deste com a ribeira de Tourões, esta última até onde a atingia a “carreira” de “Porto de Carros”, e daqui, desde o referido “porto”, até à sua desembocadura no Douro.

Com o Tratado de Alcanices a 12 de Setembro de 1297 a vila de Castelo Melhor passa definitivamente para a posse portuguesa. Neste tratado D. Dinis (1279-1325) cedia as vilas e castelos de Aroche e Aracena a Fernando IV (1295-1312), recebendo em trocas as vilas e castelos de Alfaiates, Almeida, Castelo Bom, Castelo Melhor, Castelo Rodrigo, Monforte, Sabugal e Vila Maior e outros lugares da região de Riba-Côa, assim como, no Alto Alentejo, as povoações de Campo Maior, Olivença, Ouguela e S. Félix de Galegos. Um ano depois, em 1298, D. Dinis confirmaria os Foros de...
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...Castelo Melhor.
Em 1320, no Catálogo das Igrejas, aparece referida a paróquia de S. Salvador, que correspondia à igreja situada extra-muros, o que parece indicar um progressivo desenvolvimento do arrabalde, em torno da igreja e dos dois eixos viários principais - em direcção ao castelo e à estrada para Vila Nova de Foz Côa.  Por outro lado, Castelo Melhor encontra-se integrado no termo da vila de Castelo Rodrigo, indiciando perda de importância, sinal de decadência da povoação. Ainda, no decorrer da regência de D. Fernando (1367-1383), o castelo foi reparado durante operações militares encetadas pelo monarca, assim como aconteceu durante o reinado de D. João I (1385-1433).

Com a alteração das condições políticas e de segurança da região verifica-se a ascensão de Almendra, uma povoação não fortificada, com uma implantação aberta em zona planáltica, situada nos limites dos termos de Castelo Melhor e Castelo Rodrigo e que beneficiou do apoio dado à causa de D. João I na crise de 1383-85.
 
Em 1391, por carta régia concedida por D. João I, Almendra obtém a autonomia face a Castelo Rodrigo. No ano de 1441 é outorgada, pelo regente D. Pedro (1392-1449), uma Carta de Feira a Almendra. Em 1449, Afonso V (1432-1481) confirma a autonomia da região, sob a designação de concelho de Almendra e Castelo Melhor, em que se associa numa mesma unidade territorial, o dinamismo da povoação em desenvolvimento (Almendra com 230 moradores em 1527) com o prestígio da antiga fortificação parcamente povoada (Castelo Melhor com 32 moradores em 1527). A situação é confirmada por D. Manuel I (1469-1521) no Foral Novo de 1510.

No reinado de D. Afonso V, face ao estado de deterioração das muralhas efectuaram-se novas obras de restauro nas muralhas de Castelo Melhor.
Por carta de D. João II (1481-1495), Castelo Melhor e Almendra são dados, por penhor de 4.000 coroas, a João Fernandes Cabral.
Não são conhecidas posteriores intervenções no castelo, com excepção da construção de uma bateria na encosta Este, em 1640, aquando das Guerras da Restauração.

A partir dessa altura a vila de Castelo Melhor, completamente deslocada das atenções administrativas centrais, viria progressivamente a perder importância política e militar, acabando por ser integrada, como freguesia, no concelho de Vila Nova de Foz Côa na reorganização administrativa de 1855.

O castelo acompanha as características de diversas outras povoações fortificadas desta região, com origem nos séculos XI e XII, implantadas em cabeços destacados na paisagem, delimitados por cercas de tendência circular, dotadas de torres e porta de entrada.

Castelo Melhor é uma cidadela, de recinto simples e apenas com um torreão, de planta circular, que flanqueia a muralha voltada à vila. Revela uma única reforma, da época de D. Dinis, passando a adoptar um sistema de entrada em que a porta passa a ser ladeada por dois torreões de planta quadrangular, a fim de lhe garantir uma maior robustez. O castelo preserva ainda no seu interior uma cisterna redonda, vestígios de uma construção rectangular e de muros divisórios de propriedade.
O recinto amuralhado caracteriza-se por um polígono de traçado irregular de cerca de 90x70metros. A muralha de aparelho em xisto, com cerca de 3 a 6 metros, desprovida de merlões, apresenta alguns desmoronamentos, embora seja possível identificar duas escadas de acesso ao adarve, uma sita a Este, e a outra localizada a NW, perto da cisterna.
Com uma orientação NW-SE, a porta de entrada, em arco quebrado, erigida em torre, é enquadrada por dois torreões quadrangulares com 4,85 metros de altura. Na porta de entrada denotam-se os encaixes da tranca que, à semelhança de algumas representações iconográficas e de alguns exemplos sobreviventes, permite-nos imaginar que a porta seria em madeira e reforçada com barras de ferro.

Voltado a Norte, ergue-se, adossado à muralha, um torreão circular isolado, construído em alvenaria de xisto. Este tipo de torreão que permite uma defesa activa,  não se encontra em fortificações portuguesas da época no Riba Côa, surgindo, no entanto, noutras fortalezas leonesas, nomeadamente em Castelo Rodrigo.
A cisterna tem planta circular e uma largura de 5,50 metros, sendo visível a entrada e a escada de acesso ao seu interior. As suas paredes são em alvenaria de xisto e, interiormente, rebocadas com argamassa, apresentado negativos de encaixe para troncos de madeira.

Ponto de observação privilegiado da paisagem, o castelo de Castelo Melhor permanece hoje como testemunho e memória dos tempos medievais em que a região foi disputada por dois reinos em formação - Portugal e Leão. Hoje, é a colaboração de caracter regional entre os dois países vizinhos, apoiada pelos fundos comunitários do programa Interreg, que permite salvaguardar e valorizar a antiga fortaleza no sentido de utilizar o seu excepcional valor patrimonial e simbólico como contributo para  o desenvolvimento sustentado da região.

Lat.: N41.022828
Long.: W7.066626

 
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