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PATRIMÓNIO
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Igreja Matriz de Freixo de Espada à Cinta
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A igreja matriz da vila raiana de Freixo de Espada à Cinta, pela sua localização geográfica e pelo carácter ambicioso do projecto, pode eleger-se como um dos exemplares mais expressivos para testemunhar o impulso de renovação artística que caracteriza o País no período manuelino. Embora se desconheçam, em rigor, os ritmos cronológicos da sua construção, deve ter sido iniciada em pleno reinado de D. Manuel I, em substituição de um templo românico dedicado a São Miguel, prolongando-se, como é legítimo supor através de algumas soluções adoptadas, por largas décadas.

A solidez granítica do edifício, com muros espessos reforçados pelos contrafortes que recebem os impulsos da vasta abóbada do interior, acresce um conjunto de soluções ornamentais típicas do manuelino. As colunas torsas e os elementos vegetalistas gordos pontuam nos dois portais laterais, enquanto no axial, cujo vão tem a forma de arco abatido, são as formas sinuosas de um arco trilobado com folhagem, enquadrado nos extremos por dois longos pilares, que o ornamentam. As diversas fases de construção, embora mais expressivas no interior, são visíveis na organização dos elementos da fachada axial, nomeadamente na proximidade do janelão supe­rior aos dois óculos e à mísula central, que parece ter sido conce­bida para sustentar uma imagem de vulto, porventura a do patrono São Miguel.

O abobadamento integral do templo, das três naves e da cabe­ceira de três capelas, mostra bem o alcance deste projecto. Mas é a circunstância de se inscrever na tipologia das igrejas-salão, tal como sucedera com o da Igreja do Convento de Jesus de Setúbal ou o do emblemático Mosteiro dos...
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...Jerónimos, que o vem reforçar. A abó­bada nervurada das três naves, elevada praticamente à mesma altura e sustentada por elegantes pilares monocilíndricos, dá origem a um espaço amplo, unificado, tornando a luz extensível a todo o templo.

As diferenças sensíveis entre soluções decorativas, sobretudo da abóbada da capela-mor, tipicamente manuelina, e a do corpo, com capitéis, mísulas e chaves já renascentistas, apontam para uma construção lenta do edifício, que viria a ter o seu coro alto apenas no século XVII.
Uma das presenças mais relevantes no interior é o conjunto de dezasseis painéis (c. 1540) que se conservam actualmente nas pare­des laterais da capela-mor. Já emoldurados na talha dourada que se prolonga do retábulo, distribuídos simetricamente entre as duas paredes, sem qualquer sequência temática, foram pintados por um discípulo directo de Vasco Fernandes (o célebre Grão-Vasco) para o primitivo conjunto retabular desta mesma capela. As cenas da Vida da Virgem, da Infância e Paixão de Cristo, de acordo com a sequência narrativa e com as dimensões desiguais, alinhavam-se originalmente em três fiadas distintas.

Um dos painéis, que se localiza actualmente na parede lateral direita, o que representa o Pentecostes, repete integralmente o modelo que o mestre de Viseu utilizou em duas pinturas distintas com este mesmo tema — numa das várias que fez para as capelas da Sé de Viseu e numa outra destinada ao poderoso Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Na mesma linha, Cristo perante Pilatos, também na parede lateral direita, é uma cópia invertida do painel da predela do Calvário, obra que se destinou também à Sé de Viseu e que inspira, ainda que de modo menos evidente, outros temas deste núcleo {Prisão de Cristo, Calvário, Ressurreição e Lamentação sobre o Corpo de Cristo). Mas se a linguagem figurativa em questão não deixa dúvidas quanto à filiação da obra na oficina de Viseu, o modo como se copiam e interpretam os modelos do mestre, a expressiva simplificação de figuras, de acessórios e fundos de paisagem, obriga a questionar a sua tradicional atribuição a Grão-Vasco.

Do mesmo retábulo de pintura faria parte o conjunto escultó­rico que figura os quatro bustos dos evangelistas., actualmente sob o altar barroco da capela da direita, e a imagem de São Miguel, que se manteve, depois de um repinte integral, no da capela-mor. Ambas as obras são atribuíveis ao escultor e entalhador de origem flamenga, Arnão de Carvalho, que manteve colaborações frequentes com os pintores da oficina de Viseu e trabalhou intensamente para as igre­jas desta região. Este conjunto de pintura e escultura, executado cerca de 1535, foi apeado e desmembrado nos primeiros anos do século XVIII, quando a encomenda do actual retábulo, uma peça notável em "estilo nacional", o veio substituir.

Da época de construção do edifício, com uma decoração tipi­camente manuelina, é ainda a estrutura funerária de uma família nobre local - o túmulo inserido num arcossólio que se conserva na antiga capela do Santíssimo Sacramento. As restantes presenças, sejam os retábulos dos quatro altares, um dos quais com uma pin­tura alusiva ao Juízo Final, sejam algumas imagens de vulto, a poli­cromia das abóbadas da cabeceira, a porta da Sacristia, que ostenta a data de 1738, ou o interessante púlpito em ferro forjado, resul­tam de sucessivas campanhas de reforma, de acordo com as mudan­ças de gosto e de função, e devem ser entendidas como um teste­munho da importância que esta vila fronteiriça, que conserva um conjunto notável de casas manuelinas, assumiu ao longo do tempo.

Dalila Rodrigues

Lat.: N41.092233
Long.: W6.805569

 
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